Tênis de corrida: como escolher sem gastar à toa
O tênis certo é o que fica confortável no seu pé, não o mais caro da vitrine. Um guia prático para comprar bem, fazer durar e saber a hora de trocar.
Entrar numa loja de artigos esportivos pode ser confuso: dezenas de modelos, tecnologias com nomes complicados e preços que vão de razoáveis a assustadores. A boa notícia é que a escolha de um tênis de corrida pode ser bem mais simples do que o marketing faz parecer.
O critério que mais importa: conforto
Pesquisas sobre calçados e lesões chegaram a uma conclusão que surpreende muita gente: escolher o tênis pelo conforto que você sente ao correr é um dos critérios mais sensatos que existem. Não há evidência forte de que um tipo específico de tênis, por si só, previna lesões para todo mundo. O que se sabe é que um tênis que incomoda, aperta ou machuca tende a atrapalhar.
Então, a regra de ouro: experimente e corra um pouco com ele antes de comprar, sempre que possível.
Como experimentar do jeito certo
- Vá à loja no fim da tarde. O pé incha um pouco ao longo do dia e depois de correr; comprar de manhã pode resultar em tênis apertado.
- Use a meia com que você corre.
- Deixe um espaço de mais ou menos um dedo (a largura do polegar) entre o dedão e a ponta do tênis. Na descida e no fim do treino o pé avança.
- Calcanhar firme, sem escorregar, e dedos com espaço para se mexer.
- Dê uma corrida curta na loja ou na calçada. Preste atenção em pontos de pressão, costura que incomoda e se o pé "dança" dentro do calçado.
Amortecimento, drop, pisada: o que vale saber
- Amortecimento: tênis mais macios tendem a ser mais confortáveis em treinos longos; os mais firmes dão sensação de resposta. Preferência pessoal pesa muito.
- Drop é a diferença de altura entre calcanhar e ponta. Quem sempre usou drop alto e muda para um muito baixo deve fazer a transição aos poucos, porque a carga na panturrilha e no tendão de Aquiles aumenta.
- Pisada: testes de pisada em lojas podem ajudar a orientar, mas não são sentença. Se o tênis "para pisada neutra" é o que fica confortável em você, ótimo; se um modelo "com estabilidade" parece melhor, também. Em caso de dor recorrente, a avaliação de um fisioterapeuta ou ortopedista vale mais que o teste da loja.
Precisa ser caro?
Não. Os modelos topo de linha com placa de carbono foram feitos para prova, não para o dia a dia de quem está começando. Para treinar, os modelos intermediários das boas marcas — e até versões de coleções anteriores, em promoção — resolvem muito bem. Gaste o dinheiro que sobrar em algo que também faz diferença: uma boa meia, uma consulta com profissional, uma inscrição de prova.
Quanto dura um tênis
Uma referência comum é entre 500 e 800 km, dependendo do modelo, do peso de quem corre e do terreno. Sinais de que está na hora de trocar:
- a sola está gasta a ponto de perder os desenhos em áreas grandes;
- a entressola (a parte macia) está enrugada ou "morta";
- dores que não existiam começam a aparecer sem outra explicação.
Anotar a quilometragem no aplicativo de corrida ajuda a não perder a conta.
Dicas para fazer durar
- Use o tênis de corrida só para correr.
- Não lave na máquina nem seque no sol forte: limpe com escova e água, e deixe secar à sombra com jornal dentro.
- Se corre muitas vezes por semana, alternar dois pares dá tempo para a espuma se recuperar entre os treinos.
O tênis certo é aquele que some do seu pensamento durante a corrida. Se você esqueceu que está com ele, acertou.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico, nutricionista ou educador físico. Antes de começar ou aumentar um treino, faça uma avaliação com um profissional.